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Cinema: a comédia e seus nomes
Abaixo, quatro comédias bastante diferenciadas que tem o nome de seus protagonistas em seus respectivos títulos.
Lars and the Real Girl
Está é uma comédia dramática muitíssimo original e diferenciada principalmente em sua abordagem. O filme é conduzido com muita delicadeza e cuidado, não há qualquer tipo de apelação ou clichês baratos.
Na trama, Lars (Ryan Goslin, ótimo) é um rapaz introspectivo e misterioso que do nada resolve adquirir pela Internet uma boneca inflável que passa a ser apresentada por ele como sua namorada. Familiares e amigos, então, tentam agir com naturalidade ante a inusitada situação.
Apesar de um pouco sem ritmo, o filme ganha muitos pontos por ser elegante, contar com um elenco competente e principalmente pela originalidade do roteiro, que concorreu ao Oscar com muito merecimento. "Lars and the Real Girl" é uma metáfora de como a vida, às vezes, necessita de um pouco de fantasia e inventividade para poder ser vivida.
Nota: 8,0
Penélope
Esta é uma tentativa, em boa parte acertada, de modernizar fábulas. "Penélope" é uma comédia romântica com uma estrutura clássica, mas que não se afunda na mesmice do gênero por ter muito estilo; tanto narrativo quanto visual.
Na trama, uma garota rica nasce com um nairz e orelhas de porco, por conta de uma maldição que foi lançada por uma bruxa em seus ancestrais. Dada como morta por sua superprotetora mãe (Catherine O'Hara) com o intúito de protege-la dos curiosos, Penélope (uma encantadora Christina Ricci) vive enclausurada em sua mansão a espera de um pretendente que aceite se casar com ela e assim quebre a maldição.
Já que a intenção era modernizar, "Penélope" poderia ser um filme mais ousado e dinâmico no desenvolviemento do romance entre a protagonista e sua par (interpretado pelo bom James McAvoy). Mas o roteiro segue uma estrutura bem clássica neste ponto. De qualquer forma é um filme bonitinho, bem feito, visualmente bem interessante e com um elenco muito simpático e competente.
Nota: 7,5
Dan in Real Life
Minha expectativa era bem alta em relação a este filme, por conta do nome de Peter Hedges nos créditos, diretor do ultra bacana e alternativo "Do Jeito que Ela É". Esse "Dan in Real Life" é bem mais clássico e menos ousado, mas não deixa de ter seu charme.
Na trama, Dan (Steve Carell) é um pai de três filhas abandonado pela esposa, escritor mediano e mega atrapalhado. As vésperas de uma temporada de férias com toda a família, conhece em uma livraria a adorável Marie (Juliette Binoche, luminosa). Após o primeiro encontro promissor, ele descobre que ela está namorando o seu irmão bonitão e burro (Dane Cook), e que ela também irá passar as férias com a família. O mal estar é invevitável, e as confusões idem.
A reunião familiar permeia todo o longa, e apesar de ser interessante por mostrar as relações e neuras de Dan em relação a sua família; perde-se a chance de um aprofundamento da relação entre Dan e Marie. Assim, ao invés de discussões mais maduras e situações mais complexas, o filme aposta nas gags de Carell para compor seu enredo.
Apesar de irregular, "Dan in Real Life" não deixa de ser um filme muito simpático e aproveita o carisma de seu ótimo elenco (além de Carell e Binoche, temos Dianne Wiest, Emily Blunt e John Mahoney) o máximo que pode. É o típico filme que poderia ter rendido mais, mas que também tem muitas qualidades que não podem ser ignoradas.
Nota: 7,5
Margot at the Wedding
Outro filme cercado de expectativa por conta do nome do diretor, aqui é Noah Baumbach (o mesmo de "A Lula e a Baleia") quem assina outro longa após o sucesso de sua empreitada anterior. "Margot at the Wedding" é no mínimo mais esquisito e bizarro que seu filme anterior. E olha que "A Lula e a Baleia" já era bem alternativo.
Na trama, Margot (Nicole Kidman, em boa atuação) é uma escritora de certo sucesso que vai visitar a irmã (Jennifer Jason Leigh, sempre uma figura interessante) com quem nunca se deu muito bem, para o casamento desta com o um loser (Jack Black). Sempre muito ácida e de tempramento difícil, Margot ao voltar a casa onde passou a infância vai relembrando bons e maus momentos com a irmã, e tenta suprimir seus problemas de personalidade e relacionamentos criticando o filho e todos a sua volta.
O filme tem um humor muito negro, situações bizarras e muitos cortes. A verdade é que é muito difícil se aproximar de algum personagem, seja por seus comportamentos dúbios, seja pela narrativa pouco fluente. Baumbach não se aprofunda demasiadamente em nenhum ponto específico, apenas vai jogando merda no ventilador e deixa o espectador livre para assimilar aquilo que vai vendo na tela.
Não é um filme fácil de gostar, ao mesmo tempo que também é muito difícil de criticar pela originalidade e acidez que sobram aqui e tanto faltam em outras produções. Assim como a personagem Margot, o filme é complexo, dúbio e cheio de pontos positivos e negativos.
Nota: 7,0
TIAGO HENRIQUE MELO .
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