Maio 7, 2008 .:::::. 4:11 PM

Livro X Filme: Correndo com Tesouras

É inegável que na maioria dos casos um livro é sempre superior a um filme. Porém existem milhares de adaptações de obras literárias todos os anos estreando nos cinemas, e invariavelmente umas são melhores do que outras. Cada adaptação é, assim, única.

"Correndo com Tesouras" foi um caso engraçado. Primeiro comprei o filme pra assistir. Mas um dia depois vi o livro pra vender por um preço muito em conta e resolvi comprar também. Porém sou do tipo de pessoa que lê o livro primeiro e depois vê o filme, nunca o contrário. Se vejo um filme primeiro não consigo ler o livro depois, acho que perde muito a graça da coisa.

Mas enfim, quase que no mesmo dia que termineir de ler o livro já vi o filme em sequência. E não sei se isto influenciou, porque todos os detalhes estavam fresquinhos na memória; mas o filme é simplesmente apático, sem a menor graça e não possui o menor timing cômico. Já o livro é extremamente saboroso, divertido e perspicaz.

Outro erro grave é mudar o foco principal. O livro é centrado na figura de Augusten (pseudônimo do autor do livro), e sua visão sobre as maluquices da mãe, a ausência do pai e as bizarrices da família que o adotou. Já o filme se centra mais na figura da mãe, que deveria ser uma coadjuvante. Porém a presença de Anette Bening reforçou a força da figura materna em detrimento da figura do filho no filme.

Este é o típico caso de um livro infinitamente superior ao livro, e uma decepção muito grande pela adaptação cinematográfica que desperdiça um elenco estelar (além de Bening temos Paltrow, Evan Rachel Wood, Alec Baldwin e Brian Cox) em meio a um roteiro pífio e sem inspiração em contraste com a luminosidade e sarcasmo delicioso do livro.

Notas: 8,5 (livro) e 4,5 (filme)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Abril 29, 2008 .:::::. 10:16 AM

Cinema: a comédia e seus nomes

Abaixo, quatro comédias bastante diferenciadas que tem o nome de seus protagonistas em seus respectivos títulos.


Lars and the Real Girl

Está é uma comédia dramática muitíssimo original e diferenciada principalmente em sua abordagem. O filme é conduzido com muita delicadeza e cuidado, não há qualquer tipo de apelação ou clichês baratos.

Na trama, Lars (Ryan Goslin, ótimo) é um rapaz introspectivo e misterioso que do nada resolve adquirir pela Internet uma boneca inflável que passa a ser apresentada por ele como sua namorada. Familiares e amigos, então, tentam agir com naturalidade ante a inusitada situação.

Apesar de um pouco sem ritmo, o filme ganha muitos pontos por ser elegante, contar com um elenco competente e principalmente pela originalidade do roteiro, que concorreu ao Oscar com muito merecimento. "Lars and the Real Girl" é uma metáfora de como a vida, às vezes, necessita de um pouco de fantasia e inventividade para poder ser vivida.

Nota: 8,0


Penélope

Esta é uma tentativa, em boa parte acertada, de modernizar fábulas. "Penélope" é uma comédia romântica com uma estrutura clássica, mas que não se afunda na mesmice do gênero por ter muito estilo; tanto narrativo quanto visual.

Na trama, uma garota rica nasce com um nairz e orelhas de porco, por conta de uma maldição que foi lançada por uma bruxa em seus ancestrais. Dada como morta por sua superprotetora mãe (Catherine O'Hara) com o intúito de protege-la dos curiosos, Penélope (uma encantadora Christina Ricci) vive enclausurada em sua mansão a espera de um pretendente que aceite se casar com ela e assim quebre a maldição.

Já que a intenção era modernizar, "Penélope" poderia ser um filme mais ousado e dinâmico no desenvolviemento do romance entre a protagonista e sua par (interpretado pelo bom James McAvoy). Mas o roteiro segue uma estrutura bem clássica neste ponto. De qualquer forma é um filme bonitinho, bem feito, visualmente bem interessante e com um elenco muito simpático e competente.

Nota: 7,5


Dan in Real Life

Minha expectativa era bem alta em relação a este filme, por conta do nome de Peter Hedges nos créditos, diretor do ultra bacana e alternativo "Do Jeito que Ela É". Esse "Dan in Real Life" é bem mais clássico e menos ousado, mas não deixa de ter seu charme.

Na trama, Dan (Steve Carell) é um pai de três filhas abandonado pela esposa, escritor mediano e mega atrapalhado. As vésperas de uma temporada de férias com toda a família, conhece em uma livraria a adorável Marie (Juliette Binoche, luminosa). Após o primeiro encontro promissor, ele descobre que ela está namorando o seu irmão bonitão e burro (Dane Cook), e que ela também irá passar as férias com a família. O mal estar é invevitável, e as confusões idem.

A reunião familiar permeia todo o longa, e apesar de ser interessante por mostrar as relações e neuras de Dan em relação a sua família; perde-se a chance de um aprofundamento da relação entre Dan e Marie. Assim, ao invés de discussões mais maduras e situações mais complexas, o filme aposta nas gags de Carell para compor seu enredo.

Apesar de irregular, "Dan in Real Life" não deixa de ser um filme muito simpático e aproveita o carisma de seu ótimo elenco (além de Carell e Binoche, temos Dianne Wiest, Emily Blunt e John Mahoney) o máximo que pode. É o típico filme que poderia ter rendido mais, mas que também tem muitas qualidades que não podem ser ignoradas.

Nota: 7,5


Margot at the Wedding

Outro filme cercado de expectativa por conta do nome do diretor, aqui é Noah Baumbach (o mesmo de "A Lula e a Baleia") quem assina outro longa após o sucesso de sua empreitada anterior. "Margot at the Wedding" é no mínimo mais esquisito e bizarro que seu filme anterior. E olha que "A Lula e a Baleia" já era bem alternativo.

Na trama, Margot (Nicole Kidman, em boa atuação) é uma escritora de certo sucesso que vai visitar a irmã (Jennifer Jason Leigh, sempre uma figura interessante) com quem nunca se deu muito bem, para o casamento desta com o um loser (Jack Black). Sempre muito ácida e de tempramento difícil, Margot ao voltar a casa onde passou a infância vai relembrando bons e maus momentos com a irmã, e tenta suprimir seus problemas de personalidade e relacionamentos criticando o filho e todos a sua volta.

O filme tem um humor muito negro, situações bizarras e muitos cortes. A verdade é que é muito difícil se aproximar de algum personagem, seja por seus comportamentos dúbios, seja pela narrativa pouco fluente. Baumbach não se aprofunda demasiadamente em nenhum ponto específico, apenas vai jogando merda no ventilador e deixa o espectador livre para assimilar aquilo que vai vendo na tela.

Não é um filme fácil de gostar, ao mesmo tempo que também é muito difícil de criticar pela originalidade e acidez que sobram aqui e tanto faltam em outras produções. Assim como a personagem Margot, o filme é complexo, dúbio e cheio de pontos positivos e negativos.

Nota: 7,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Abril 23, 2008 .:::::. 11:03 AM

Tv: House

House é um dos inúmeros seriados que buscam na medicina o foco para o desenvolvimento de suas tramas. O diferencial é que House joga muito pouco com a dramaticidade e com os clichês da profissão. Em seu lugar, temos discussões por vezes bem complexas sobre doenças dos mais diversos tipos e variáveis, pouco espaço para o dramas pessoais e muito, mas muito espaço para o humor sarcátisco do Dr. Gregory House, defendido por um surpreendente Hugh Laurie.

O seriado vive o paradoxo de ser muito bom para pessoas que gostam de pegar o bonde andando e assistir apenas um ouo outro episódio esporadicamente. Como o seriado suprime demais as relações interpressoais entre os médicos e anulam completamente suas vidas fora do consultório; o seriado pode ser apreciado esporadicamente que pouco irá se perder, já que o foco central sempre é um paciente em questão e sua misteriosa doença. Por outro lado, quem acompanha o seriado com afinco e regularidade pode se cansar um pouco desta falta de profundidade de relações.

O humor de House também é complexo. As vezes é muito bem sacado e divertido, mas em outras oportunidades é irritante principalmente pelo fato de que o personagem abusa demais deste tipo de subterfúgio e por vezes se repete demais.

Mas é inegável que a complexidade das doenças (alguns casos são muito complexos e a cura parece impossível) é o grande trunfo do seriado, que consegue atrair a atenção do espectador para a medicina em si, e não para os médicos, apesar de House ser uma figura interessante e complexa.


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 25, 2008 .:::::. 3:50 PM

Oscar 2008: a premiação

Minha preparação para o Oscar 2008 foi melhor que a do Oscar 2007. Consegui assistir 20 filmes indicados esse ano, mais do que ano passado. Dos 20 não achei nenhum ruim, e apenas 3 não me agradaram muito.
Para muitos a premiação e a festa esse ano foi sem graça e previsível. Porém na minha opinião teve lá suas surpresas e minha torcida em algumas categorias deram resultado. Abaixo minhas impressões da festa de ontem:

- Alegria: em primeiro lugar ressalto a vitória mais do que merecida da canção "Falling Slowly" do pequeno mas notável "Once". Foi um prazer ver os atores do filme cantarem a música e a alegria genuína deles ao receberem o prêmio pela canção que compuseram. O discurso de ambos (o dela feito posteriormente e iniciativa do apresentador John Stewart de deixá-la voltar e agradecer) foi comovente e o prêmio mais do que merecido. Marion Cotillard também justamente premiada, abraçou Forrest Whitaker com uma emoção comovente. Outro prêmio merecidíssimo, apesar de Julie Christie merecer também. A trilha de "Desejo e Reparação" foi justamente premiada por sua genialidade. E os figurinos de "Elizabeth - A Era de Ouro" também foram justamente laureados.

- Surpresa: a maior da noite com certeza foi Tilda Swinton, atriz de qualidade que não era favorita, mas que na reta final acabou levando pra casa o BAFTA e o Oscar. Surpreendente também foi o aproveitamento 100% de "O Ultimato Bourne", que ganhou tudo em que estava indicado.

- Confirmações: As categorias vencidas por "Onde os Fracos Não tem Vez" já eram esperada, assim como a vitória de Diablo Cody em roteiro original para "Juno" e Daniel Day-Lewis como melhor ator por "Sangue Negro". "Ratatouille" também se confirmou como melhor animação e "Piaf" ganhou melhor maquiagem concorrendo com "Piratas do Caribe" e "Norbit"... Assim fica fácil.

- Considerações: no geral prevaleceu o favoritismo do filme dos Coen, que saíram com estatuetas de melhor filme, direção e roteiro; e Javier Bardem como coadjuvante por "Onde Os Fracos Não tem Vez". Particularmente achei "Juno" e "Desejo e Reparação" superiores, e ainda não consegui ver "Sangue Negro". O filme mais injustiçado foi "Na Natureza Selvagem", de longe o melhor da safra. Ressalta-se porém que o Oscar anda menos político e mais democrático, todos os filmes indicados na categoria principal foram feitos com pouco dinheiro e um deles era independente, confirmando a força do cinema-cabeça em detrimento do cinema-espetáculo que foi mais favorecido principalmente na década de 90.

Ano que vem tem mais...


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 24, 2008 .:::::. 5:54 PM

Elizabeth - A Era de Ouro (Melhor Atriz, Melhor Figurino)

A monarquia inglesa continua em sua saga no cinema, e quem volta a cena é a rainha Elizabeth, neste “Elizabeth – A Era de Ouro” (Elizabeth – The Golden Age, Inglaterra, 2007). Voltam para a continuação o mesmo diretor, a mesma atriz e o requinte da fita original. Porém o material aqui não é da mesma qualidade que seu antecessor.

Cate Blanchett continua perfeita no papel. Figurinos, direção de arte e maquiagem se mostram até mais ousados e refinados que o predecessor. Porém o que poderia ser uma continuação à altura do filme anterior acaba soando mais como uma reprise requentada sem o mesmo brilho e vigor.

O maior problema é o roteiro, que não sabe acertar o tom de narrativa e a direção burocrática de Khapur que insiste em filmar tudo demasiadamente em planos fechados. “Elizabeth – A Era de Ouro” tem um contexto histórico relevante, o da briga religiosa entre a então poderosa Espanha e a Inglaterra meio perigante de Elizabeth. A rainha da Escócia Mary (a ótima Samantha Morton, desperdiçada) é vista como uma possível sucessora de Elizabeth, por ser católica e possuir sucessores. Porém o argumento é pano de fundo, pois o foco principal são os questinamentos existenciais da rainha; que incluem desde o peso do poder até picuinhas com as subalternas.

E ao seguir por esse caminho, o filme perde força e se torna arrastado e cansativo. E Khapur não consegue esquentar os ânimos nem com as cenas de batalha, que filma de forma artificial e burocrática. Não é um filme ruim, mas poderia e deveria ser muito melhor; pois tinha potencial para tal. Salvam-se Blanchett e a parte técnica. O que não é o suficiente, mas ao menos conseguem segurar as pontas.

Nota: 6,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 5:51 PM

Os Indomáveis (Melhor Trilha Sonora, Melhor Som)

Os faroestes voltaram com considerável força neste ano, e o que segue mais a risca os velhos padrões de antigamente é este “Os Indomáveis” (3:10 to Yuma, EUA, 2007), que se trata de uma refilmagem; e talvez por essa razão soe tão amarrado aos grandes filmes do gênero.

Esse é mais um filme competente de James Mangold, que continua em sua busca em se aventurar por mares sempre desconhecidos. Seu trabalho aqui se mostra mais uma vez muito consistente, maduro e elegante. A fita é bastante bem feita, tem um elenco talentoso (em especial a dupla central, os sempre ótimos Bale e Crowe) e uma trama bem amarrada.

Não é contudo um filmaço. Em certos momentos a fita perde um pouco o ritmo e a falta de ousadia não prejudica, mas também não ajuda. É um faroeste à moda antiga, bem realizado e chega até a empolgar em determinados momentos. Mas nada de excepcional, é um bom trabalho. Ponto.

Nota: 8,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 22, 2008 .:::::. 5:49 PM

Na Natureza Selvagem (Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Edição)

Quando um filme nos emociona e nos toca de um jeito muito forte, se torna até difícil resenhar sobre o mesmo. Porque a razão no momento de escrever se funde com a emoção causada por ele, causando uma certa sensação inebriante; dificultando assim a exposição de idéias com clareza. É um sensação raríssima, o de você assistir um filme que cause tal sentimento. "Na Natureza Selvagem" (Into the Wild, EUA, 2007) causou-me, surpreendentemente aliás; porque dessa safra do Oscar 2008 não era nem de longe um dos que mais ansiava por ver.

E não gostei tanto do filme por me identificar 100% com os ideais do personagem central Chris, ou Alex em sua nova vida (defendido por um Emilie Hirsch magnético e sensacional). Não possuo talvez esse espírito tão aventureiro, ou tamanho desprendimento por bens materiais. Porém isso não me impediu de admirar a atitude do personagem, e o próprio roteiro se encarrega de debater sua visão um pouco inflexível e extremista do mundo com as pessoas que ele vai encontrando em seu caminho; e não ressalta tal visão como qualidade ou defeito, e sim como visão particular de mundo dele. "Na Natureza Selvagem" não tenta nos fazer compartilhar da visão de mundo dele, nos faz apenas conhecer seus ideais e pensamentos e nos faz admirar sua bondade e bom caráter.

A direção de Sean Penn é perfeita. A edição do filme é ótima. A trilha sonora mistura canções divertidas e climáticas com belas e originais canções de Eddie Vedder. A fotografia é deslumbrante. O elenco de apoio é soberbo, contanto com nomes talentosíssimos como William Hurt, Marcia Gay Harden, Jena Malone, Catherine Keener, Vince Vaughn e o indicado Hal Holbrook.

"Na Natureza Selvagem" para mim é o melhor filme da safra do Oscar 2008 dos que vi até agora. Não irei ficar me lamentando, apontando injustiças e indicações que o filme deveria ter tido. É simplesmente um grande filme, belíssimo e perfeitamente realizado.

Nota: 10,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:34 PM

Não Estou Lá (Melhor Atriz Coadjuvante)

O cinema pode e sempre deve experimentar, inovar, criar. "Não Estou Lá" (I'm Not There, EUA, 2007) é um desses filmes que vão fundo no intuito de fazer algo diferente, pouco usual. O diretor Todd Haynes (de "Velvet Goldmine" e "Longe do Paraíso") uniu a sua já compravada veia musical com uma colagem de imagens e sons que vão como um mosaico contruindo a trama, por menos linear que ela seja.

São visões e personagens distintos que de uma forma ou outra estão ligados ao universo do cantor Bob Dylan, grande nome da música folk e ídolo de toda uma geração. O viés mais interessante com certeza é o interpretado por Cate Blanchett, que discute com propriedade a questão dos rótulos que o mundo da música impõe sobre os artistas. A discussão sobre os rumos do folk e de sua importância enquanto um hino de rebeldia e um caminho alternativo para o público que via na música uma forma de se rebelar contra o sistema; e o da dificuldade do grande nome do movimento (Dylan) em tocar e cantar outras coisas sem ser acusado de traidor são questões muito bem abordadas neste segmento. Já os outros são bem mais abstratos.

O visual acachapante e a falta de linearidade e foco da trama não comprometeriam o resultado final de "Não Estou Lá" tivesse até uns 90 minutos de duração. Porém são mais de 2 horas de filme, e fica muito difícil acompanhar o ritmo do filme sem soltar um bocejos; porque não existe um elo de ligação, uma sequência narrativa. O filme é muito abstrato, calcado muito mais no visual do que na narrativa. E isso invariavelmente depois de um tempo de duração acaba cansando e deixando o filme com um ar de longo e monótono.

Um filme interessante, visualmente originalíssimo e repleto de boas sacadas. Talvez vá fundo até demais em sua ousadia, o que o torna um filme de difícil digestão. Mas é cinema originalíssimo.

Nota: 7,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 20, 2008 .:::::. 4:00 PM

Longe Dela (Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado)

Que Sarah Polley era uma boa atriz eu já sabia, o que não sabia era que além de atuar ela também consegue escrever e dirigir de forma mais do que satisfatória. "Longe Dela" (Away From Her, Canadá, 2006) parece até um filme dirigido por um veterano, tamanha sua classe e maturidade.

Essa questão do mal de Alzheimer não é novidade no cinema. Recentemente o filme "Diário de uma Paixão" tratou de tema de uma forma até que similar. Porém se lá a pieguice era a palavra de ordem e o filme exagerava no dramalhão; aqui temos uma elegância e uma forma muito mais sutil de retratar o drama de um casal de terceira idade (Julie Christie e Gordon Pinsent) que vêem sua relação de mais de 40 anos ainda sadia e apaixonada ser ameaçada pela doença.

O mal de Alzheimer pode não ser a mais mortal ou perigosa das doenças, mas certamente é a mais triste. Perder suas memórias, ver a história da sua vida simplesmente desaparecer e não ter a menor chance de recuperá-la é algo extremamente doloroso, tanto para a pessoa e muito mais para a sua família. É como se a pessoa deixasse de existir em vida. E tais sentimentos "Longe Dela" retrata de forma brilhante, dessa dificuldade de quem vê o seu ente querido, o seu amor de toda vida simplesmente se tornar outra pessoa, um estranho. A atuação soberba do duo central, uma Julie Christie maravilhosa (se ganhar o Oscar será merecido) e um Gordon Pinsent fantástico apenas dão fé e validam o roteiro impecável escrito por Polley.

Apesar de ter algumas ressalvas quanto a interação do personagem de Pinsent com a de Olimpia Dukakis, "Longe Dela" é um filme soberbo sobre o amor retratado em sua forma mais forte e incondicional. Um pequeno filme que merece ser visto e descoberto.

Nota: 9,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 19, 2008 .:::::. 5:43 PM

Once (Melhor Canção)

Dentre todas as cetegorias do Oscar 2008, a de melhor canção é aquela pela qual irei mais torcer; pois a única indicação de "Once" (idem, Irlanda, 2006) ao prêmio com a canção "Falling Slowly" é certamente a mais merecida dentre todas ao meu ver.

Esse pequenino filme, absolutamente despretencioso e simples é uma daquelas produções que te ganha pela honestidade, pela paixão que exala dos envolvidos no projeto. Os atores que formam o casal central (Glen Hassand e Markéta Irglóva, ambos sensacionais) refletem esse carisma natural que a produção consegue transmitir. Ambos cantam maravilhosamente, e sempre com extrema graça e simpatia vão conduzindo o filme com suas atuações soberbas.

Não existem muitas palavras que possam definir e qualificar um filme como este. Simplicidade é algo pertinente. Mas "Once" é muito mais do que isto. É um "romance" e uma história de amizade e paixão pela música que toca ao público por soar humana e universal. E a canção "Falling Slowly" é simplesmente apaixonante.

Nota: 9,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 18, 2008 .:::::. 5:32 PM

Conduta de Risco (Melhor Filme, Diretor, Ator, Roteiro Original, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante e Trilha Sonora)

Eu imaginava que este "Conduta de Risco" (Michael Clayton, EUA, 2007) não fosse um grande filme. Mas as 7 respeitáveis indicações ao Oscar, que incluem melhor Filme e Diretor me fizeram pagar pra ver. Paguei e não tive surpresa alguma.

Este filme pertence basicamente aquela classe de filmes de tribunal ou ações de classe, tipo "Norma Rae", "Erin Brockovich". O título em inglês por sinal já dá uma pista de que se trata do mesmo tipo de filme, mas que nunca se assume como tal. A ação de classe aqui não é o mote principal, mas apenas uma escada para os personagens envolvidos desenvolverem seus dramas. Temos a executiva perfeccionista da grande empresa (Tilda Swinton, sempre eficiente), o advogado maluco da empresa que resolve virar a casaca e começar a defender as pessoas que pleitearam a ação (Tom Wilkinson, outro bom ator) e o advogado bom de lábia capaz de consertar tudo, exceto sua vida pessoal (George Clooney, que particularmente considero um ator apenas regular).

O problema é que os personagens se desenvolvem até um certo ponto, e ai o mote da ação de classe que era mero coadjuvante assume o posto de centro das atenções. Porém ai já é tarde, pois a nigligência inicial do roteiro não tornam críveis os problemas, nem o das atitivdades ilícitas de grandes empresas em detrimento da saúde de quem estiver em seu caminho e muito menos o da corrupção no ramo da advocacia (que por sinal não é novidade alguma).

Não é um filme ruim. Os 3 atores seguram bem as pontas e conseguem dar vida a uma trama que começa muito confusa e aos poucos vai se clareando (tiro esse dado pelo roteiro que também não surte muito efeito, porque o roteiro em si é raso). A trama pode não ser muito profunda, mas ao menos o roteiro não tem furos e não apela para os clichês do gênero da ação de classe. Porém falta brilho ao filme, e outros superiores poderiam ter sido indicado em seu lugar. Mas George Clooney anda em alta...e até o diretor Tony Gilroy com azedume no Director´s Guild reclamou que a mídia está tão firme em elogiar o engajamento social e politizado do ator, que anda se esquecendo que ele não faz seus filmes sozinhos...

Nota: 6,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:54 PM

Senhores do Crime (Melhor Ator)

Cronenberg se reciclou consideravelmente com o filme "Marcas da Violência", qua abandonava em parte a sua veia fisiológica e apostava mais em um estudo sobre a violência; de forma mais branda que o seu normal. Agora com "Senhores do Crime" (Eastern Promisses, Inglaterra/EUA, 2007), ele se aprofunda um pouco mais no estudo e de quebra trabalha com um roteiro menos apático e sem brilho do que seu filme anterior.

Mas mesmo assim, "Senhores do Crime" ainda é um filme limitado; que tem um bom argumento mas parece nunca se aprofundar e dar continuidade a suas idéias iniciais. A questão do tráfico sexual é absolutamente sugerida pelo roteiro, que em momento algum o cita ou trabalha de fato a problemática. Essa renúncia se dá em boa parte pela opção de apostar nas relações interpessoais dos personagens, em especial daquele vivido por Viggo Mortensen (em ótimo desempenho); que joga tanto do lado do bem (representado pela figura de Naomi Watts) quanto do lado do mau (a máfia russa representada por Vincent Cassel e o otimamente perverso Armin Mueller-Stahl).

No geral é um bom filme, que apesar de limitado consegue manter o espectador conectado com sua trama. Ressaltam-se a Londres obscura e cinzenta retratada pelo filme, a atuação precisa de Mortensen (justamente indicado ao Oscar) e a verve (ainda que em doses menores) animalesca de Cronenberg, que filme uma cena de luta com três homens que parecem mais três animais primitivos lutando pela sobrevivência.

Nota: 7,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 14, 2008 .:::::. 5:08 PM

Sweeney Todd (Melhor Ator, Melhor Figurino, Melhor Direção de Arte)

Tim Burton é um dos meus diretores favoritos. Porém o estilo dark e sombrio que permeiam boa parte de sua carreira não é exatemente a sua maior qualidade (meu filme preferido dele é "Peixe Grande") em minha opinião; mas sim a sua maneira de tratar o diferente e o bizarro com uma naturalidade ímpar. "Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da rua Fleet" (Sweeney Todd - The Demon Barber of Fleet Street, EUA, 2007) é mais um filme que traz esse lado gótico e dark do diretor, porém com a diferença de que agora Burton está por trás de um musical.

"Sweeney Todd" é um musical daqueles que tem 80% dos diálogos cantados, o que não chega a ser um defeito; mas invariavelmente cansa um pouco o espectador. Aqui o problema é ainda um pouquinho maior porque muitas músicas se repetem. Por outro lado o filme enche os olhos em termos técnicos, com direção de arte primorosa, figurinos idem e trilha muito grandiosa e empolgante.

A trama foca basicamente os personagens de Depp (em bom desemprenho e cantando muito bem) e Helena Bonham Carter (que não canta lá muito bem, mas está luminosa em cena e é dona dos melhores momentos). Todos os demais personagens são meros adornos que Burton e o roteiro de John Logan não exitam em utilizar e descartar sempre visando os personagens centrais, em especial o barbeiro Todd e seu desejo de vingança. Os personagens são bem construídos e delineados, o babeiro Todd é frio e vislumbra apenas a vingança como objetivo de vida; já a viúva Lovett faz piada de sua desgraça e vê em Todd uma chance de poder melhorar e alegra sua vida.
Porém nada impediria que os personagens coadjuvantes tivessem mais chances dentro da trama.

Basicamente "Sweeney Todd" encanta por sua beleza visual e carisma dos atores centrais, e cansa por as vezes se repetir demais nos diálogos e nas situações envolvendo a dupla central. Fazer um musical é sempre uma aposta corajosa e um desafio para qualquer cineasta. Tim Burton comprova seu talento e reafirma seus votos com seu estilo gótico; realizando um bom filme. Mas não apaixonante.

Nota: 8,0

Visto onde: Multiplex Catuaí (Londrina)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 13, 2008 .:::::. 5:31 PM

Onde Os Fracos Não tem Vez (Melhor Filme, Diretor, Roteiro Daptado, Ator Coadjuvante, Fotografia, Edição, Som e Edição de Som)

Sabe aquela sensação estranha de que só você não gosta de uma coisa, ou que não gosta "o tanto quanto deveria" de algo? Pois é, eu posso dizer que me sinto assim em relação aos irmãos Coen. Até hoje não assisti nenhum filme deles que me causasse essa adoração que muitos tem pela obra dos irmãos. Assisti "Onde Os Fracos Não tem Vez" (No Country for Old Men, EUA, 2007) com a expectativa de finalmente em embriagar pelo talento deles, tamanha a força do filme na temporada tanto entre crítica quanto entre o público. Não foi desta vez...

Devo logo de saída ressaltar que "Onde Os Fracos Não tem Vez" é realmente um filme bom. E dos que ví dos Coen até hoje é o melhor. A trama começa muito bem e segue um ritmo muito bom até o terço final, onde a marca dos irmãos Coen está absolutamente visível; e é justamente essa marca que eu não consigo entender porque tanta gente gosta. Criativos os Coen são, seus filmes tem sempre um visual arrojado e idéias interessantes. Mas eles parecem que gostam de concluir seus filmes sempre de maneira morna. Falta no meu ponto de vista paixão, emoção. Suas obras são sempre interessantes, mas parece que nunca se completam de fato, a premissa interessante sempre é abortada em favor de longos discursos e conclusões elegantes, porém insossas.

Mas como eu já disse anteriormente o filme é bom, em algums momentos ele é muito bom. As indicações ao Oscar de fotografia e edição são justas e o filme lembra um pouco o clássico "O Homem que Matou o Facínora" (um crítico do site Omelete comparou o personagem de Bardem com Liberty Vallence). Aqui a história é mais engenhosa e o ar mais elegante. Porém lá as emoções não eram reprimidas e o filme não tinha medo de se concluir de forma calorosa.

Nota: 8,0

Visto onde: pirata


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 5:24 PM

O Caçador de Pipas (Melhor Trilha Sonora)

Adaptar um livro comum é uma coisa. Adaptar um best-seller mundial é outra completamente diferente. Um livro do porte sempre é recebido com expectativas nas alturas pelos fãs do livro, e cada detalhe é obeservado. Portanto é preciso muito peito para levar um projeto do nível adiante. Ano passado dois nomes de peso no cinema tentaram a sorte, Ron Haward com o muito criticado "O Código DaVinci" e Tom Tykwer com "O Perfume", que dividiu opiniões. Agora é o telentoso Marc Forster que dá a cara a tapa com "O Caçador de Pipas" (The Kitte Runner, EUA, 2007).

Bom, eu particularmente li três quartos do livro. Parei de ler não exatamente pelo fato de eu não estar gostando (pelo contrário, achei a narrativa boa e alguns personagens bem interessantes), mas pelo fato de o livro ser um pouco maniqueísta; ele é tão dramático que chega a causar um certo desconforto. O filme por outro lado é bem menos apelativo neste sentido, e a elegância da condução da trama por Forster é muito bem-vinda.

O porém é que o filme não consegue impor tal elegância de forma totalmente satisfatória. A questão social pincelada no livro praticamente desaparece no filme, que se foca exclusivamente nos personagens e seus dramas e deixa todo um contexto interessantíssimo de imposição do regime do Talibã e diferenças étnicas de lado. Ao invés de se aprofundar no que o livro já tinha mencionado, o filme anula ainda mais essas questões.

De qualquer forma é um filme agradável de ser visto, a trilha sonora é realmente muito boa e incrivelmente heterogênea, os atores foram bem escolhidos e a coragem de filmar boa parte do filme em sua língua de origem é louvável.

Nota: 7,5

Visto onde: Multiplex Catuaí (Londrina)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 7, 2008 .:::::. 4:54 PM

O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Fotografia)

Este filme, a começar pelo título "O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford" (The Assassination of Jesse James by the coward Robert Ford, EUA, 2007) é extremamente ousado e descaradamente anti-comercial, mesmo contando com um astro como Brad Pitt a frente de seu elenco. São 160 minutos de duração, raríssimas sequências movimentadas e uma história que apesar de possuir um narrador onisciente, não é exatamente linear ou de fácil absorção.

Tais afimações feitas acima podem ou não ser consideradas como elogios. Tudo depende de como o material é tratado por seus realizadores. Aqui existem pontos positivos e negativos;e embos pesam muito sobre as considerações a respeito do filme. A fotografia indicada ao Oscar é realmente merecedora da vaga. Belíssima. Cenários, figurinos e trilha sonora também tem muitas qaulidades. O elenco coadjuvante encabeçado pelo indicado Casey Affleck (em ótimo desempenho) e outros atores talentosos como Mary-Louise Parker, Paul Schneider, Sam Rockwell e Sam Shepard também é um ponto muito positivo.

Porém o grande problema do filme é o roteiro, que mostra uma coisa durante quase toda a duração do filme e depois sugere outra em seu final. O grande X da questão se resume na figura de Jesse James. Dentro do universo do filme existem algumas sugestões de que a figura do assaltante e assassino era bem vista pelas pessoas, já que até histórias sobre ele eram escritas. Porém a atuação de Pitt e o roteiro em si não o tornam uma figura ambivalente como ela deveria ser; onde o bandido apesar de ser frio, calculista, autoritário e até um pouco paranóico, também deveria conter traços de simpatia, carisma, bom-humor. Mas na tela tudo que se vê são defeitos e nulas ou raras qualidades; o que torna infundado todo o questionamento de Bob Ford no final do filme. Somado a isso, os 160 minutos custam a passar.

Resumidamente o filme é até interessante e muito bem feito. Porém essa ousada investida de Andrew Dominik pelo gênero dos western contabiliza erros e acertos em proporções quase idênticas. Com bom vontade (em especial pela coragem de se fazer algo tão pouco comercial e pro sua beleza visual) chega a ser possível gostar e apreciar o filme, mas que os defeitos existem, existem.

Nota: 6,5

Visto onde: pirata


TIAGO HENRIQUE MELO .


Fevereiro 1, 2008 .:::::. 4:59 PM

O Gângster (Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Direção de Arte)

Depois de "O Poderoso Chefão", alguns cineastas de talento se aventuraram na difícil tarefa de revisitar o gênero de filmes de gansters. Scorsese já o fez em "Os Bons Companheiros" e Brian de Palma em "Os Intocáveis". Agora chegou a vez de Ridley Scott, que o faz com extrema competência em "O Gângster" (American Gangster, EUA, 2007), que é uma produção ousada e baseada em fatos reais.

Acho que o ponto mais importante na minha opinião a ser abordado sobre o filme é que ele apesar de um pouco longo, é muito mais objetivo e dinâmico que os seus antecessores consgrados; o que ressalta a versatilidade e habilidade de Scott em lidar com materiais diversos. A história verídica do americano Frank Lucas (Denzel Washington), que ascendeu ao poder do tráfico de heroína ao buscar diretamente no Vietnã a matéria-prima para a confecção da mercadoria a ser vendida nas ruas; que além de mais barata que o normal era mais potente que as similares no mercado. Após a venda do primeiro lote, Lucas se tornou um chefão poderosíssimo e milionário. Porém ao seu encalço, o policial Richie Roberts (Russell Crowe) famoso por sua honestidade, não deixará se corromper pelo velho esquema polícia+traficantes = lucro para ambas as partes.

Interessante também é o contraponto de personalidades dos protagonistas. Lucas é um assassino frio, um rei do tráfico de drogas; um bandido, simplificando. Porém era um homem discreto, muito apegado e honesto com a família, fiel a esposa e um cristão devoto e caridoso. Já Roberts era um policial honesto, capaz de devolver uma bolada e ainda ser recriminado pelos próprios colegas; um cara que vivia rigorosamente dentro da lei. Contudo era negligente com o filho e com a ex-mulher, a quem vivia traindo. São opostos, que ressaltam o quanto as pessoas são complexas e com possibilidades de atitudes distintas nas mais diversas ocasiões.

No geral é um ótimo filme, que tem um elenco esforçado (apesar dos exageros clássicos de Washington e da supervalorização de Ruby Dee, indicado ao Oscar como a mãe de Lucas). É como todo filme do gênero, muito grandioso; porém mais objetivo e dinâmico que o habitual. Não chega a ser um filme inesquecível, mas é cinema de indiscutível qualidade.

Nota: 8,5

Visto onde: Multiplex Catuaí (Londrina)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 29, 2008 .:::::. 3:56 PM

Juno (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original)

Novamente um filme independente e de baixo orçamento chega as finais do Oscar, e "Juno" (idem, EUA, 2007) larga em desvantagem na corrida ao Oscar 2008 por ser invariavelmente comparado com "Pequena Miss Sunshine", sucesso do ano passado e que possui o mesmo tom ácido/cômico utilizado por "Juno". Porém não vale a pena ficar comparando um filme com outro, afinal são filmes diferentes e anos diferentes.

"Juno" é um filme que logo de cara parece um pouco forçado. Ellen Page e seu estilão meio indie e sarcástico soam meio forçados a primeira vista. Porém a atriz vai aos poucos conquistando o caração do espectador e revelando facetas que vão muito além das impressões iniciais. Sua Juno McGuff é uma figura única, muito interessante e divertida. Aliás se existe uma grande diferença entre "Juno"e "Pequena Miss Sunshine" é que Juno é a grande e principal personagem aqui, enquanto que no Miss Sunshine as atenções eram mais divididas. Além do grande trabalho do Page, o roteiro de Diablo Cody e a direção de Jason Reitman (do também ótimo "Obrigado por Fumar") merecem créditos.

Outro ponto marcante é que "Juno" é um filme bem leve e descontraído, apesar de lidar com temas espinhosos como aborto e adoção. É um filme bem espirituoso, gostoso de assistir e muito simpático. E é mais uma prova de que o cinema independente está realmente em alta.

Nota: 8,5

Visto onde: Multiplex Catuaí em Pré-estréia (Londrina)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 28, 2008 .:::::. 5:33 PM

Desejo e Reparação (Melhor Filme, Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Trilha Sonora, Direção de Arte, Fotografia e Figurino)

A verdade e suas diferentes formas de interpretação são o mote principal de "Desejo e Reparação" (Atonement, Inglaterra/EUA, 2007), um dos filmes mais premiados e comentados do ano. Baseado no romance de Ian McEwan, a produção dirigida pelo cada vez melhor Joe Wrigth (de "Orgulho e Preconceito") é um filme extremamente bem feito, visualmente impecável e conta com uma história envolvente e emocionante.

São vários os pontos a favor desta bem sucedida adaptação. A personagem Briony é absolutamente bem delineada e defendida com êxito por três atrizes diferentes (Saorsi Ronan, Romola Garai e Vanessa Redgrave), as idas e vindas do roteiro não são prejudiciais ao ritmo da trama, algumas cenas (como a já famosa tomada da guerra, que dura mais de 7 minutos) são soberbas e grandiosas e esteticamente a direção de arte e a trilha sonora em especial são notáveis.

Porém existe aqui um efeito colateral na construção da trama. Obviamente que a grande personagem tanto do romance quando do filme é Briony. Porém o filme tenta nos vender uma imagem de que o par romântico tem mais importância na tela do que realmente tem. James McAvoy está muito bem, e tem mais chances do que Keira Knightley, que pouco tem a fazer com sua Cecília. Talvez o roteiro descuide um pouco do casal, não invista tanto quanto deveria em seu romance para que ele se torne mais crível ao espectador. E por consequência mais dramático e trágico pelas circunstâncias que se seguem.

É contudo um belo filme. Bem dirigido, bem produzido, um belo roteiro e um show de três atrizes defendendo uma personagem marcante.

Nota: 8,5

Visto onde: Espaço Unibanco de Cinema (São Paulo)


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:08 PM

Piaf - Um Hino ao Amor (Melhor Atriz, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem)

As cinebiografias de figuras consagradas da música continuam em alta, e rendendo aos seus protagonistas uma chance única de atuar, cantar e emocionar. Esse é o ano e vez de Marion Cotillard, a bela atriz francesa que encarna com graça e competência a lenda francesa Edith Piaf no filme "Piaf - Um Hino ao Amor" (La Momê, França, 2007).

Como de costume, a vida dos ícones musicais é sempre cheia de altos e baixos, problemas com drogas e álcool, desilusões amorosas... "Piaf" tem tudo isso, e Marion Cotillard aproveita cada segundo com uma vontade e uma garra tão grande; que é possível até fechar um pouco os olhos para a maneira burocrática que o filme conduz a história da cantora. A montagem cheia de idas e vindas é sempre um recurso que produções quadradas tentam utilizar para tentar dar agilidade a trama; o que não é o caso aqui. "Piaf" é inegavelmente um filme bonito, e presta uma justa homenagem a cantora. Porém é longo demais, um pouco monótono e burocrático em sua condução.

No mais "Piaf" tem um bom trabalho de figurinos e maquiagem, e utiliza as músicas da cantora com maestria dentro da trama e seu contexto. A bela atuação de Marion Cotillard também ressalta o bom trabalho da produção, que apesar de quadrada é muito caprichada visualmente e impecável dramaticamente pelo talento da protagonista.

Nota: 7,5

Visto onde: Gemini (São Paulo)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 25, 2008 .:::::. 5:07 PM

No Vale das Sombras (Melhor Ator)

Está virando quase que um gênero cinematográfico o assunto da ocupação americana no Iraque. No ano passado foram vários filmes que dissertaram sobre os efeitos que a ocupação causos na sociedade americana. "No Vale das Sombras" (In the Valley of Elah, EUA, 2007) poderia ser apenas mais um, porém é um drama absolutamente abrangente não apenas sobre a questão em foco em si; mas sobre as minúcias e complexidade dos personagens retratados.

O trio central está absolutamente brilhante (em espcial Tommy Lee Jones, justamente indicado ao Oscar) e defende os personagens criados pelo oscarizado Paul Haggis de forma íntegra, entendendo a proposta de não pintar os personagens ou só de preto ou só de branco; mas sim repletos de particularidades, qualidades e defeitos.

A trama vai se desdobrando de uma forma hipnótica, e com ela toda uma crítica e uma síntese sobre a ocupação americana no Iraque se forma. É uma análise profunda, madura, abrangrente e extremamente inteligente. Em minha opinião é um dos melhores filmes de 2007 e merecia mais chances no Oscar.

Nota: 9,0

Visto onde: Frei Caneca Unibanco Artplex (São Paulo)


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:05 PM

Ratatouille (Melhor Filme Animação, Roteiro Original, Trilha Sonora, Som e Edição de Som)

A Pixar vem ano após ano invertendo uma máxima que o mercado (em especial a sua parceira e distribuidora Disney) impunha: o de que um filme de animação deveria agradar as crianças em primeiro lugar, e num segundo plano os adultos; caso fosse possível. "Ratatouille" (idem, EUA, 2007) é um filme que agrada primeiramente os adultos, e por tabela as crianças também.

Tal quebra de conceito é no mínimo uma tarefa complexa e arriscada, porém inteligente; pois os pais invariavelmente tem que acompanhar os pimpolhos nas sessões. E se o filme agrada ambos os públicos, maiores as chances de sucesso. Este não foi exatamente o caso de "Ratatouille", talvez o filme mais adulto da Pixar. Foram 200 milhões de bilheteria nos EUA, quantia apenas mediana para um filme com a marca Pixar. Mas as 3 indicações ao Oscar comprovam que a qualidade e empatia com o público adulto (em especial com a crítica) atingiu um nível altíssimo.

"Ratatouille" é um desenho ousado, a começar pelo título. Conseguir transformar um rato numa figura empática não é difícil, mas conseguir fazer com que achemos normal um animal considerado sujo se tornar um chef de cozinha; isso sim é complexo. E a Pixar conseguiu mais uma vez acertar o alvo. Existe no roteiro discussões sobre habilidades e talentos individuais, realização pessoal e profissional, competitividade e outros assuntos complexos, que muitas vezes dramas e filmes em tese mais profundos que um desenho não são capazes de abordar.

Mas se "Ratatouille" tem um defeito, ele é quase que um efeito colateral de sua aposta ousada. Ao acompanharmos todo o desenrolar soberbo e inteligente da trama, o seu desfecho soa um pouco fácil demais; o que é absolutamente normal e compreensível, pois se trata de uma animação e o público infantil não pode ser negligenciado numa produção da marca Disney. É um paradoxo, e quase não chega a ser um defeito. É apenas uma constatação de que a Pixar está tão afiada, que está deixando o paladar dos cinéfilos cada vez mais aguçado.

Nota: 8,5

Visto onde: pirata


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 24, 2008 .:::::. 4:58 PM

O Ultimato Bourne (Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Edição de Som)

Não se tem muito o que falar sobre este "O Ultimato Bourne" (The Bourne Ultimatum, Inglaterra/EUA, 2007). Certamente é um dos melhores filmes do ano, fechando (até onde se sabe) uma trilogia vencedora (que começou mediana com o Identidade e melhorou muito com Supremacia) de forma absolutamente impecável. É um filme inteligente, rápido, ágil, tenso e hipnótico.

Méritos para Paul Greengrass, que mais uma vez mostra que é um diretor do mais alto gabarito; e Matt Damon, que continua em boa fase e entregando atuações consistentes e eficientes. O elenco de apoio aqui também é ótimo, e as indicações ao Oscar são merecidas; principalmente a de Edição.

007 que me desculpe, mas Jason Bourne é o cara!

Nota: 9,0

Visto onde: pirata.


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 4:32 PM

Across the Universe (Melhor Figurino)

Fazer um musical baseado em músicas do Beatles é ao mesmo tempo uma idéia genial, pela qualidade e variedade de músicas que são verdadeiros clássicos, e ao mesmo tempo arriscada, pelo complexidade de construir todo um roteiro a partir de músicas avulsas; sem uma base sólida.

A tarefa contudo foi realizada com êxito pela diretora Julie Taymor (a mesma de Frida), que conseguiu dar vida e paixão a "Across the Universe" (idem, EUA, 2007). Acostumada com direções na Broadway, a diretora conseguiu coordenar e tornar linear a história de amor de Jude e Lucy (Jim Sturgees e Evan Rachel Wood) e deixou transparecer a paixão dos envolvidos no projeto, construindo um mosaico de cores, sons e formas.

Aliás, se "Across the Universe" é um bom filme, muito se deve ao visual arrebatador do filme, que utiliza um mundo de cores e estilismos fantásticos para compor seu enredo. A criatividade de certas cenas é inspiradora, e um prazer imenso de ser visto na telona. A músicas dispensam comentários, e os figurinos indicados ao Oscar também são muito bem feitos. O roteiro não é realmente o ponto forte do filme, que é muito longo e existe uma clara e compreensível dificuldade de dar liga aos fragmentos. Chega um certo momento onde o filme fica um pouco arrastado, lento demais.

Porém apesar dos problemas acho que é um filme que merece créditos pela ousadia, pelo visual arrebatador e pela visível paixão dos envolvidos. Não é um filme perfeito, dramaticamente ele pode ser falho; mas é criativo e corajoso. E isso é artigo raro no cinema atual.

Nota: 8,0

Visto onde: Frei Caneca Unibanco Artplex (São Paulo)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Janeiro 18, 2008 .:::::. 4:50 PM

Melhores e Piores 2007

Abaixo a minha lista de melhores e piores filmes que estrearem no Brasil de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2007.

Melhores filmes:

1- Zodíaco
2- Mais Estranho que a Ficção
3- Extermínio 2
4- O Ultimato Bourne
5- No Vale das Sombras
6- O Preço da Coragem
7- A Vida dos Outros
8- Pecados Íntimos
9- Encontros ao Acaso
10- Hairspray


Melhores Atores:

1- Will Farrell (Mais Estranho que a Ficção)
2- Patrick Wilson (Pecados Íntimos)
3- Tommy Lee Jones (No Vale das Sombras)
4- Christian Bale (O Sobrevivente)
5- Ulrich Mühe (A Vida dos Outros) e Wagner Moura (Tropa de Elite)

Melhores Atrizes:

1- Angelina Jolie (O Preço da Coragem)
2- Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor)
3- Charlize Theron (No Vale das Sombras)
4- Ashley Judd (Encontros ao Acaso)
5- Kate Winslet (Pecados Íntimos) e Maggie Gylleanhaal (Mais Estranho que a Ficção)

Melhores Diretores:

1- David Fincher (Zodíaco)
2- Marc Forster (Mais Estranho que a Ficção)
3- Michael Winterbottom (O Preço da Coragem)
4- Paul Haggis (No Vale das Sombras)
5- Paul Greengrass (O Ultimato Bourne)

Piores Filmes:

1- Motoqueiro Fantasma
2- Premonições
3- A Colheita do Mal
4- Número 23
5- A Estranha Perfeita


TIAGO HENRIQUE MELO .


Setembro 14, 2007 .:::::. 4:28 PM

Cinema: P de Pânico!!! Possuídos e Paranóia na telona!

Seguem abaixo resenhas sobre dois filmes recentes que lidam com o fator psicológico, cada um a sua maneira.

Possuídos

Este filme do renomado diretor William Friedkin (o mesmo cara que realizou o clássico dos clássicos "O Exorcista") é basicamente um estudo psicológico bastante orgânico e simplório sobre como a falta de uma estrutura emocional (sempre acarretada por traumas, tragédias e perdas) pode levar uma pessoa a buscar em situações insólitas e irreais a solução para seus problemas.

É isso o que acontece com Agnes (a linda Ashley Judd em uma atuação cheia de altos e baixos), uma mulher muito infeliz, perseguida pelo ex-marido violento. Trabalhando numa espelunca e morando numa espelunca, ela não tem nenhum propósito de melhorar de vida. O ideal é apenas beber, fumar, e levar sua vida sem maiores tragédias. Mas tudo muda com a chegada de Peter em sua vida, um homem soturno que incia um relacionamento com Agnes e aos poucos vai revelando facetas paranóicas ao insistir que insetos estão presente em seu sangue.

A partir disso Friedkin leva essa paranóia inicial ao extremo, e confere um ar de loucura a "Possuídos". Algumas situações de tão absurdas chegam a provocar risos nos espectadores, devido ao caráter extremamente insano e doentio dos personagens. O filme contudo tem algumas falhas e poderia ser melhor construído se o roteiro soubesse explorar melhor certas situações, e se a personagem Agnes se deixasse levar pela loucura de uma forma mais gradativa.

No geral é um filme que incomoda, tem um ar de bizarro e um quê de trágico-cômico. Porém é um exercício e um esforço basicamente de atores (Judd e Michael Shannon) que dão o sangue para que uma neurose ganhe escopo e dramaticidade.

Nota: 7,5


Paranóia

Já este é um filminho beeem mais leve, mas que não deixa de tratar de questões psicológicas, de como o meio ou uma situação pode mudar o comportamento e até o bom senso das pessoas. "Paranóia" basicamente se espelha no clássico "Janela Indiscreta" para compor seu enredo. Na trama um rapaz em regime de prisão domiciliar (Shia LeBouf) começa a desconfiar que seu vizinho da frente tem algo a ver com os assassinatos em série que andam ocorrendo; e paralelamente inicia um flerte à distância com sua nova (e gatinha) vizinha.

A verdade é que "Paranóia" até que começa bem, contextualizando a situação e demonstrando a dificuldade de se manter preso numa residência por mais de 24 horas. Porém o grande pecado do filme é o de tentar manter a questão da dúvida sobre o vizinho por muito tempo. Ao optar por isso, a fita perde ritmo e ganha em situações tolas (o amigo nerd japonês do protagonista é dispensável), piadinhas manjadas e um romance teen muito mal dosado.

Somente nos 20 minutos finais é que "Paranóia" resolve resolver a questão de 1 milhão de dólares e injetar um pouco de ação a trama insípida. Porém, ai já é tarde demais...

Nota: 6,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 3:44 PM

Literatura: A Casa dos Budas Ditosos

De todos os livros que compõe a série Plenos Pecados lançada pela editora Objetiva, com certeza "A Casa dos Budas Ditosos" foi o que mais conseguiu se destacar. E a razão disto pode ser enumerada por várias fatores.

Basicamente a prosa de João Ubaldo Ribeiro flui de uma forma deliciosa, linear e saborosa. Porém é necessário se despudorar de vários pré-conceitos para apreciar a narrativa. Na trama uma sexagenária relata sua vida sexual de uma forma totalmente aberta, revela desejos saciados e insaciados, vontades e feitos ousados, situações sensuais, bizarras e cômicas.

É um livro muito direto, simples e extremamente provocante no sentido que a narradora e protagonista da trama discute tabus e revela sua postura de "vanguarda" acerca de uma infinidade de temas sociais e sexuais. Concordando ou não com suas idéias e ações, o que vale é que "A Casa dos Budas Ditosos" é literatura de primeira, repleta de malícia e possui um ar provocativo genial.

Nota: 9,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Agosto 17, 2007 .:::::. 4:47 PM

Cinema: Sunshine - Alerta Solar e retrospectiva Danny Boyle

Finalmente consegui assistir a mais recente produção desse fantástico diretor inglês. Abaixo as impressões sobre "Sunshine" e uma breve retrospectiva de sua carreira.


Ficção científica é um gênero muito complexo e difícil de ser filmado. Ao mesmo tempo em que o gênero exige inovação e inventividade, se a trama fugir muito de uma possível realidade sempre irá enfrentar críticas. Danny Boyle se aventura com "Sunshine - Alerta Solar" (Sunshine, Inglaterra/EUA, 2007) com um orçamento modesto e situações limite (marcas registradas de seu estilo).

"Sunshine" começa um pouco confuso. Somos apresentados a história que é bem simples, o sol está morrendo e uma equipe é enviada com uma carga especial para tentar reavivá-lo. Detalhe: esta é a segunda expedição enviada, a primeira se perdeu e ninguém sabe exatamente o que ocorreu com ela. Porém segue-se a introdução uma enxurrada de informações e cálculos sobre a expedição e tudo mais. Mas depois que o filme engrena as coisas melhoram muito até o terço final.

A construção de história feita por Alex Garland (roteirista e parceiro de Boyle) é ótima. O clima de tensão vai aumentando, situações limite vão surgindo e jogando questões sobre a capacidade (ou falta dela) humana de pensar no todo, e não individualmente. O quanto vale a pena morrer ou se arriscar pela humanidade? O quanto vale a pena se resguardar e se omitir numa situação onde a falta de coragem irá ser igualmente fatal? Tudo isso é permeado por efeitos especiais fodidos e um elenco eclético e simpático que conta com Cillian Murphy, Rose Byrne, Chris Evans e Michelle Yeoh.

O problema é que no terço final "Sunshine" toma um rumo que destoa do seu restante, e quase compromete o resultado final. É preciso ter boa vontade para embarcar na proposta final e não questioná-la muito para curtir o filme e apreciar o seu final bacana. No todo "Sunshine" é um filme muito bom, que só peca mesma ao incluir na trama um elemento que tira boa parte da originalidade e do tratamento orgânico das relações dos personagens com a situação. Mas de qualquer forma é um filme muito interessante e mais um acerto na carreira de Boyle.

Nota: 8,0


Retrospectiva


(1994) Cova Rasa O primeiro filme de Danny Boyle é bastante interessante e já apontava o faro do diretor por escolher roteiros com situações que levam seus personagens a situações limite. Na trama três amigos dividem uma casa e resolvem alugar um quarto para um desconhecido. Logo após se mudar o sujeito morre e os colegas descobrem que uma de suas malas estava forrada de dinheiro. Dar um sumiço no sujeito é só o começo de uma trama de humor negro, situações tensas e um desfecho inteligente.

Nota: 8,0



(1996) Trainspotting Esse foi o filme que projetou Boyle de vez no mercado internacional. "Trainspotting" é um clássico dos anos 90 menos por sua profundidade em relação a temas pesados como dorgas e consumismo; e mais por seu estilo e visual frenético, imagens chapantes e o humor ácido. É um filme muito estiloso, bacana e divertido. Mas em termos de roteiro não é o melhor dos filmes de Boyle.

Nota: 8,0



(1997) Por uma Vida Menos Ordinária Estilo também é a palavra chave deste filme de Boyle, uma comédia romântica com toques de humor nonsense e visual bacana. Segue uma linha mais ou menos parecida com a de Trainspotting, tem um quê de crítica social sobre valores acerca do consumismo exacerbado e discussão sobre classes sociais. Porém é um filme que não é bem definido, muita coisa fica pelo caminho. Contudo o elenco competente, o visual bacana e algumas pitadas de absurdo dão charme a este que é um dos filmes mais criticados de Boyle.

Nota: 7,0



(2000) A Praia Mais criticado que "Por uma Vida Menos Ordinária", só mesmo "A Praia" que foi o primeiro filme que Boyle rodou nos EUA e quase afundou sua carreira. Porém muita coisa pode ser dita em favor deste filme apesar de ele realmente não ser uma maravilha. A história em si é bem interessante, o visual é sensacional (nunca ví praias tão lindas) e a trilha sonora é bacana. O grande problema de "A Praia" é DiCaprio. Não ele como ator, já que é sempre uma figura boa em cena, mas a sua imagem em si totalmente desgastada depois de "Titanic" foi o que arruinou as chances de "A Praia" e fizeram muita gente torcer o nariz para o filme sem motivos justos.

Nota: 7,0



(2002) Extermínio Depois do fracasso, a glória! Boyle voltou a cena depois do fracasso de "A Praia" com "Extermínio", uma das produções mais bacanas que o cinema produziu recentemente. Além de ser o responsável por trazer os filmes de zumbis de volta ao mercado, Boyle criou um filme tenso, nervoso, e muito, mas muito amedrontador. Mas o grande lance é que "Extermínio" é o primeiro filme de Boyle onde ele realmente conseguiu apronfudar-se nos temas propostos e criou uma obra angustiante e cheia de valor nos temas a que se propôs discutir. Sensacional.

Nota: 9,0



(2004) Caiu do Céu Mantendo a boa fase atingida com "Extermínio", Boyle voltou-se para um projeto pequeno, porém absolutamente inteligente e interessante. Uma espécie de fábula, o filme disserta sobre a visão de mundo de dois garotos que acham acidentalmente uma sacola cheia de dinheiro. A partir dessa premissa, o diretor extrai da aparente simplicidade uma história belíssima sobre fé, perdas e o sentido que o dinheiro pode dar as nossas vidas, seja pelo excesso ou falta dele.

Nota: 9,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Julho 17, 2007 .:::::. 4:41 PM

Música: Super Extra Gravity, The Cardigans

Depois de um bom tempo de pouca expressividade, o The Cardigans voltou a ativa com o lançamento do cd "Super Extra Gravity". A banda se lançou com o sucesso da música "Lovefool" e posteriormente o disco "Gran Turismo" teve boa receptividade; onde a banda ganhou notoriedade pela música e clipe de "My Favorite Game". Depois disso, contudo, o Cardigans não lançou mais nada de muito expressivo até o presente lançamento.

Não que "Super Extra Gravity" seja um sucesso e as músicas bombem nas rádios o tempo todo. Longe disso. Porém se o sucesso comercial não veio, ao menos o The Cardigans recuperou parte de seu prestigio com este cd muito bem produzido, gostoso de ouvir, com uma sonoridade bem pop/rock permeada pela bela e deliciosa voz de Nina Persson.

Destacam-se no álbum a maliciosa e sensacional " I Need Some Fine Wine and You, You Need to Be Nice" (a melhor do álbum), a gostosa baladinha "Don´t Blame Your Doughter", além das boas "Good Morning Joan" e "In the Round". É um disco bastante regular, as músicas soam muito gostosas e apontam um rumo para o The Cardigans continuar em boa fase daqui pra frente.

Nota: 8,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Julho 13, 2007 .:::::. 10:37 AM

TV: Made (MTV)

Alguns reality show´s não servem para absolutamente nada, outros são apenas engraçados, e outros apresentam um retrato interessante das pessoas e de uma sociedade de modo geral. É o caso do "Made" que é produzido pela MTV americana e exibido aqui no Brasil pela MTV nacional.

A verdade é que esse "Made" não tem lá grandes intenções de provocar estudos sobre comportamento ou algo parecido. É apenas um programinha leve, que tem o intúito de entreter as pessoas e passar uma liçãozinha de moral e superação ao seu final. No programa, jovens tentam alcançar objetivos díspares, tentam conseguir realizar sonhos ou simplesmente assumir um novo perfil. Eu já vi programas onde por exemplo uma garota queria entrar para um show da Broadway, o que é bacana. Mas na maioria das vezes o "Made" retrata um desejo do jovem americano muito nítido: o de se enquadar no perfil considerado ideal, o de se ajustar. Ser igual é bom, ser diferente é ruim.

São vários programas onde os diferentes (gordinhas, meninas despojadas, caras engraçados e meio malucos, o fortão caipira, o roqueiro) tem se tornar os iguais e queridos pelos iguais, desejando se tornar o rei ou rainha do baile de formatura, se tornar miss, modelo, ter aulas de etiqueta... Enfim, os jovens buscam maneiras de anular aquilo que eles tem de mais particular, único; e motivo pelo qual certamente a MTV os escolheu para participar do programa.

É um paradoxo, e também uma radiografia de uma sociedade que impõe valores tão sufocantes que fica difícil se tornar único.


TIAGO HENRIQUE MELO .


Julho 4, 2007 .:::::. 4:58 PM

Literatura: libelos contra o sistema opressor

São poucos os livros que, se pararmos para pensar, dialogam com a questão da opressão; da tentativa de barrar aquilo que o ser humano tem de mais único e individual: pensar e raciocinar por si só. Portanto é insprescindível para qualquer pessoa antenada com o mundo e fã de literatura de qualidade a leitura de duas das obras mais relevantes nesse sentido: "1984" e "Fahrenheit 451".

Vou começar falando sobre o melhor e mais famoso. "1984" do genial George Orwell (autor do igualmente brilhante "A Revolução dos Bichos") é uma obra muito difícil de ser digerida. Orwell traça um panorama muito apavorante sobre uma sociedade controlada por câmeras de tv, microfones e um governo massacrante, totalitário e autoritário. A sociedade está dividida em blocos, e apenas o povão é liberado em parte das regras duríssimas impostas pelo governo. No mais todos são fiscalizados e obrigados a aceitarem e idolatratem o que lhes é imposto.

Obras como "1984" nos fazem refletir sobre a importância da individualidade, de formarmos opinião própria sobre qualquer assunto. Portanto a narrativa fluente e extremamente politizada de Orwell criam um retrato cruel e devastador que não por acaso é um dos mais influentes e elogiados livros do século XX.

Já "Fahrenheit 451" do americano Ray Bradbury não chega a ter o mesmo impacto e profundidade da obra Orwell. Porém tem o seu valor e a sua relevância. Basicamente o livro é muito bom, Bradbury revela-se um poeta ao jogar com a questão da importância do conhecimento; a relevância que os livros tem em nossa vida, a forma como eles nos fazem pensar, raciocinar, e entender melhor o mundo.

A obra só peca por não ser fluente em sua história, na composição dos personagens e do cenário envolto na trama. Parece que não flui com clareza alguns detalhes como o sabujo, as telas que conversam com as pessoas; umas viagens tecnológicas que Bradbury propõe; mas que são difíceis de ser idealizadas ou imaginadas. E quando um autor não consegue fazer com que o leitor não consiga vizualizar aquilo que ele está descrevendo, algo está errado.

Enfim, são dois clássicos da literatura mundial que dialogam com valores grandiosos como liberdade, individualidade, conhecimento, cultura. E por esse motivo são indispensáveis.

Nota: 9,5 (1984) e 8,0 (Fahrenheit 451)


TIAGO HENRIQUE MELO .


Junho 12, 2007 .:::::. 3:02 PM

Cinema: Zodíaco e retrospectiva David Fincher

Eu me tornei fã de David Fincher logo após assistir "Clube da Luta". Tamanho domínio de técnica e coragem ao trabalhar com um material tão diferente e subverssivo eram indicadores suficientes de genialidade. E "Zodíaco" (Zodiac, EUA, 2007) comprova mais uma vez que o cara realmente sabe o que faz.

Vou deixar os filmes anteriores dele de lado e focar "Zodíaco" por seus méritos. Em primeiro lugar filmes que se constroem em cima de eventos reais são cheios de armadilhas, onde o cinema muitas vezes tenta mudar e tornar mais atrativa a realidade usando fantasia; o que anula a intenção de se fazer algo crível e real. David Fincher sabia bem disso quando começou a rodar "Zodíaco". O filme não tem grandes arroubos, porque a realidade não permitia tal inserção. E a marca da genialidade aparece ai, sabendo isso Fincher utilizou a vida real e extraiu dela o que de melhor ela tem a oferecer: profundidade e datalhismo.

São 158 minutos (que incrivelmente passam como se fossem menos de 120) de detalhes, mostrando e relatando o caso desde o início até o seu final com o máximo de minúcia e informações possíveis. Aliás para um estudante da área de ciência da informação como eu, "Zodíaco" é um deleite. Informação é a palavra de ordem, onde o personagem que menos tinha chances de chegar a uma solução (o cartunista Rober Graysmith, autor do livro em que o filme se baseia) foi quem mais chegou perto de desvendar o crime, utilizando basicamente duas fontes: bibliotecas e arquivos.

Enfim, um filme tecnicamente perfeito. Edição, trilha, direção de arte mais do que competentes aliadas a ótimas interpretações (em especial Robert Downey Jr., Mark Ruffalo e Jake Gyllenhaal), uma história interessante, um roteiro inteligentíssimo ao saber abordar o caso sem cair nas armadilhas já citadas acima; e claro, a direção milimetricamente perfeita de David Fincher.

Veja o filme, sinta a tensão da época, os efeitos que a busca pela solução dos crimes causou em várias pessoas; e se sinta tão bem informado que é quase possível apenas assistindo ao filme chegar a uma conclusão particular sobre o caso.

Nota: 10,0



Retrospectiva

(1995) Seven - os Sete Crimes Capitais

Esse foi o filme que lançou David Fincher. Após a fria recepção de seu primeiro filme ("Alien 3"), "Seven" o lançou no mercado como um cineasta promissor. E não era para menos. Considerado um dos melhores filmes de serial killer de todos os tempos, "Seven" é inteligente, instigante, tenso e conta com elementos supresas que são geniais. O único pecado talvez seja a relação entre detetives proposta pelo roteiro, onde apesar de Morgan Freeman fazer o bom papel de sempre, seu papel de policial durão e sabe-tudo não é muito original. Um defeito mínimo para um filme tão bom.

Nota: 9,5


(1997) Vidas em Jogo

Talvez o menos melhor filme de todos os que ví até hoje, mas nem por isso um filme ruim. Muito pelo contrário. "Vidas em Jogo" é um filme extremamente interessante, possui um roteiro engenhoso e um desfecho incrível. Só não é espetacular pois o ritmo do filme é quebrado por situações nem tão interessantes como a maioria e Michael Douglas apesar de esforçado não era a melhor opção para esse tipo de filme e papel. De qualquer forma temos aqui um filme muito inteligente e engenhoso, que só peca pela falta de ritmo em certos momentos.

Nota: 8,5


(1999) Clube da Luta

Esse é o filme que com certeza fez com que David Fincher se tornasse o nome cultuado que é hoje.Considerado por muitos sua obra-prima (inclusive por mim),"Clube da Luta" é denso, provocante, sarcástico, subversivo. É um filme como poucos, que foi um fracasso comercial nos cinemas e cultuado em vídeo e dvd, fazendo grande sucesso. Com certeza um clássico moderno, que só um realizador como Fincher poderia transpor a partir do material genial de Chuck Palahniuk.

Nota: 10,0


(2002) O Quarto do Pânico

Já "O Quarto do Pânico" é o filme mais incompreendido de Fincher. Após realizar sua obra mais densa, Fincher se voltou para um material muito mais simples; porém absolutamente satisfatório em sua premissa e realização. Para quem esperava algo ao estilo "Cluba da Luta" foi decepção; mas para quem assistiu "O Quarto do Pânico"de mente aberta se deliciou com o argumento inteligente, o desenvolvimento satisfatório, as tomadas de câmera geniais, as situações tensas e interprertações fodidas de Jodie Foster e Forrest Whitaker. Um thriller de suspense que entretem como poucos e que apela o mínimo para clichês do gênero. Dentro do que se propõe, "O Quarto do Pânico"é um filmaço.

Nota: 9,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Junho 5, 2007 .:::::. 10:57 AM

Cinema: Extermínio 2

Sinceramente eu não acreditava tanto assim nesta continuação do ótimo "Extermínio" de 2002, dirigido pelo ultra cool Danny Boyle. Primeiro porque ele abandonou a direção e assumiu apenas a produção desta continuação, e depois pelo fato de que todo mundo sabe que continuações dificilmente se igualam ao original. Mas como é bom se enganar... "Extermínio 2" (28 Weeks Latter, Inglaterra, 2007) é sem dúvida alguma uma continuação à altura do filme original.

Basicamente o maior acerto desse filme é o de continuar com extrema sagacidade a deixa deixada por Boyle. No primeiro filme tudo era menor, mais intimista, Boyle criou uma atmosfera de medo utilizando o desconhecido; a forma como individualmente as pessoas teriam de lidar com a terrível novidade. Já "Extermínio 2" sabiamente amplia esse quadro, retratando a Inglaterra vista pelo lado de fora, em especial pelo lado dos EUA, que enviam tropas para ajudar a reconstruir o país. O vírus aparentemente está contido. Porém o corpo humano é cheio de segredos e particularidades (outro acerto notável do filme), e uma pessoa em especial tem imunidade natural contra os sintomas. Porém antes que ela saiba disso o vírus se espalha... e o caos vem a tona.

Tenso do início ao fim, angustiante, nervoso, ágil. São palavras que definem o estilo de Juan Carlos Fresnandillo no comando de "Extermínio 2". O filme abala o psicológico de qualquer um por expor os personagens a situações limite, situações que provocam um desconforto como poucos filmes conseguem provocar. Mas o principal ponto assustador que "Extermínio" começou tratando e "Extermínio 2" dá continuidade é que por mais evoluídos que nós estamos, basta algo sério como uma infestação de vírus acontecer para que a raça humana volte e regrida todos os anos de evolução e passe a agir de forma primata.

"Extermínio 2" é no geral um grande filme que sabe unir entretenimento com assuntos sérios. Uma continuação para ninguém botar defeito.

Nota: 9,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 10:35 AM

Música: Semisonic, Feeling Strangely Fine

O Semisonic não é uma banda daquelas muito badaladas pela imprensa, porém mesmo sem conhecer o nome da banda; eu duvido que alguém em sã consciência desconheça os hits "Closing Time" e "Secret Smile". Aliás, dois hits que são de uma qualidade incrível. Porém o cd "Feeling Stangely Fine" tem mais a oferecer do que apenas duas músicas.

Todo o álbum é permeado pela voz afinadinha e gostosa do vocalista Dan Wilson. A maioria das músicas pendem mais pra balada do que para um rock pop mais agitado. Porém são músicas com sonoridades gostosas, que não cansam ou enjooam quem escuta o cd todo. Outros destaques do cd são "DND", "Singin in my Sleep" e "Never You Mind".

Com certeza um cd que merece ser apreciado e fazer parte do acervo de quem gosta de boa música rock/pop de qualidade.

Nota: 8,5


TIAGO HENRIQUE MELO .


Maio 16, 2007 .:::::. 6:04 PM

Literatura: Pequenas Infâmias

A espanhola Carmen Posadas ganhou destaque em 1998 quando lançou este "Pequenas Infâmias", que rendeu a ela prêmios em seu país de origem e projetou seu livro internacionalmente. Uma mistura de Agatha Christie com um conteúdo mais intelectual, o livro promete uma leitura gostosa e descompromissada.

Em parte o livro cumpre o seu objetivo. A caracterização dos personagens é inteligente, algumas situações são engraçadas e a leitura flui bem até certo ponto. Porém chega um ponto em que o livro parece não concluir bem as suas idéias iniciais e a leitura vai se tornando pouco a pouco mais lenta e aborrecida.

Ao final "Pequenas Infâmias" se mostra um livro irregular. Começa bem e termina mal, com um desfecho surpreendente; porém bobo e muito superficial. De qualquer forma a discussão sobre caráter e posição pessoal dos personagens garantem bons momentos.

Nota: 7,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Maio 10, 2007 .:::::. 5:20 PM

TV: Ponto Pe

Já faz um bom tempo que a MTV aposta nesse programa sobre sexo pelo telefone. Já passaram por ali Babi Xavier, Ludimila, Jairo Bauer e outras figurinhas. Mas nunca a MTV acertou tão na mosca quando colocou Penélope Nova para comandar o "Ponto Pe", antigo "Erótica MTV".

Penélope é a alma do programa. Sem papas na língua, mas ao mesmo tempo consciente sobre assuntos importantes como traição e sexo seguro; Penélope xinga quando tem de xingar, rí, se envolve, tira sarro, fala sério e o mais importante: parece sempre estar disposta a ajudar (desde que a pessoa mereça).

É bem verdade que como o formato já tem um tempo, as perguntas se repetem demais. Mas mesmo já pegando algo desgastado, a apresentadora conseguiu fazer a diferença por sua irreverência e bom humor.

Não é a toa que Penélope vem ganhando cada vez mais espaço na MTV (nesse período pós- Riff ela já apresentou o "Tribunal" e agora está no "Invasão" e "A Fila Anda"). Apesar da fórmula já estar gasta, vale a pena ligar a tv toda sexta (ou nas reprises) para se divertir com o "Ponto Pe" e as tiradas geniais da Penélope.


TIAGO HENRIQUE MELO .


Maio 4, 2007 .:::::. 6:02 PM

Cinema: A Colheita do Mal

"A Colheita do Mal" (The Reaping, EUA, 2007), filme estrelado pela duplamente oscarizada Hilary Swank, é daqueles projetos que a crítica adora malhar, mas que as vezes até funciona. As vezes... A idéia de utilizar as dez pragas bíblicas até que é boa. O filme começa bastante tenso e interessante também. Mas os vícios do gênero afundam o filme, da mesma forma que os outros 90% das produções do gênero terror/suspense nos EUA.

O problema é sempre o reteiro. Os efeitos especiais e principalmente sonoros são perfeitos, os atores chegam a se esforçar (a própria Hilary Swank tenta mostrar algo além do que cara de susto) e os diretores inovam atrás das câmeras, utilizando novos ângulos e maneirismos visuais estilosos. Mas o roteiro sempre começa com uma idéia promissora e depois acaba naufragando em meio a clichês batidos, reviravoltas manjadas e forçadas e falta de assunto para compor um filme por completo; e não apenas utlizar uma premissa interessante à exaustão.

Em poucas palavras, "A Colheita do Mal" é cinema viciado, burro e cheio de pretensões. Apesar de entreter por alguns minutos, o filme não consegue avançar com suas propostas e se vende em favor do óbvio tentando passar por surpreendente. Não perca seu tempo.

Nota: 4,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


.:::::. 5:26 PM

Música: The Bravery

O quinteto nova-iorquino The Bravery já começou mal a sua carreira por dar o título do seu primeiro álbum de The Bravery... Ou seja, na verdade elea não deram um título. Mal sinal.

Ano passado eu conferi uma entrevista com os caras na MTV e até que gostei de alguns trechos das músicas que rolaram. Em especial "Fearless", que é bem bacaninha e você com certeza já deve ter escutado sem ter se dado conta do nome da banda. "An Honest Mistake" é bem dançante e bacaninha também. Mas de resto o negócio é um pouco mais complicado.

O grande problema é que The Bravery não tem um estilo definido. Algumas músicas soam chatas e maçantes pela falta de estilo e por atirar para muitas direções sem foco. Existem pequenas semelhanças com estilos díspares em várias músicas. Algumas soam mais The Strokes, outras Marylin Manson. E é essa falta de coerência que prejudica o trabalho dos caras, que pela vinhetinha da MTV parecia tão promissor.

Quem sabe no próximo disco eles encontrem um foco.

Nota: 6,5



TIAGO HENRIQUE MELO .


Abril 11, 2007 .:::::. 4:29 PM

Música: trilha "Hora de Voltar"

Além de um filme sensacional, "Hora de Voltar" tem também a trilha mais bacana dos últimos tempos. Uma trilha sonora boa não é apenas aquela que contém boas músicas; mas sim aquela que combina as imagens com o som de uma forma a tornar tanto o visual quanto o sonoro invesquecíveis. É um casamento difícil de ser realizado, mas quando bem feito pode gerar resultados fantásticos como a trilha de "Hora de Voltar"

Tudo começa com "Don't Panic", mais uma boa balada do Coldplay. Depois a trilha passa para o exótico Shins com "Caring is a Creepy"; continua com a maravilhosa e envolvente "In the Waiting Line" do Zero Seven. Temos tabém Simon & Garfunkel, Ramy Zero e Cary Brothers. Ao final, a deliciosa "Let Go" do Frou Frou deixa qualquer um extasiado com a qualidade musical e cinematográfica de "Hora de Voltar".

Não deixe de ver o filme e apreciar as músicas. A trilha não foi lançada no Brasil. Corajosos podem importar, mas os seres mortais podem e devem baixar as músicas desta trilha perfeita.

Nota: 10,0


TIAGO HENRIQUE MELO .


Abril 10, 2007 .:::::. 6:03 PM

Cinema: 300

"300" (idem, EUA, 2007) era a promessa de tudo novo em termos de épico. Visual estilizado, cenagrafia quase que totalmente digitalizada, ação ininterrupta... Promessas, que foram cumpridas apenas em parte.

A grande questão é que "300" realmente tem um visual inovador, com imagens estilizadas bacanas e boas cenas de ação. Porém a inovação para por ai. O roteiro escrito pelo prórpio diretor Zack Snyder se apega sem medo a velhos clichês do gênero e dispensam originalidade ao incluirem cenas onde a esposa chorosa entrega um colar ao marido